quinta-feira, 1 de março de 2012

DEIXA A LUZ ILUMINAR TUA ALMA





TRIBUTO A GEÍSA

“Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice;
Não seja, porém, a minha vontade
A fazer-se, mas a tua.” (Lu 22,42)


Prenúncios do grande momento do amor de Deus,
Que, naquele instante, entregava seu filho
Para salvar o seu povo.

“Leva-me contigo, deixa minha mãe em paz”.
Momento de profundo amor ao próximo
De uma mulher predestinada,
Que iluminada por Deus
Entregou-se ao bandido,
Como mártir de um povo,
Por alguém que nem conhecia
E a chamou de mãe.

(“Vós sois a Luz do mundo” Mt 5,14)
Foram quatro horas de sofrimento extremo,
Que fez de Geísa a luz
Para todos os que insistem
Em não enxergar a violência,
Para todos os que insistem
Em não ouvir o grito, dos corações aflitos,
De um povo sofrido.
Tão órfão, como órfã era ela própria,
Para todos os corações que continuam a bater.

Uma vida se deu para refletirmos:
Quem matou esta heroína anônima,
Que talvez nem soubesse
Do que era capaz a sua bondade
E nem percebeu a grandeza do seu gesto.
Foi morta por um homem
Que escapou da chacina da Candelária?
Foi morta pelo clamor dos excluídos?
Foi morta pelos famintos?
Foi morta pelos desamparados?
Foi morta pelos loucos e drogados da sociedade?
Foi morta pela emoção de homens despreparados?
Foi morta pela hipocrisia da nação,
Que dá as costas aos graves problemas da violência?
Foi morta por todos nós, que somos apáticos:
Porque não gritamos,
Porque não exigimos,
Porque somos o resto da escória do mundo,
Para o primeiro mundo.
Por que entregamos nossos valores mais profundos?
Por que saímos da frente do espelho
Com vergonha do que vemos?
Por que somos alheios a tudo o que nos rodeia?

Esta mulher, Luz de uma nação, foi morta;
Morta como hóstia viva
E se transformou em útero da verdade reveladora
Para que todos compreendam
Que faltam gestos profundos:
De amor,
De honradez,
De vergonha,
De respeito,
De coragem de dizer:
Esta é minha mãe! Não façam mal a ela.
Esta é minha pátria! Não faça a ela nenhum mal
Porque estarei na frente das armas
E serei escudo dos oprimidos;
Porque estarei sempre defendendo
O que há de mais puro
Nos meus sentimentos de patriota;
Porque estarei agora e sempre disposto
A qualquer sacrifício
Para que sejamos uma nação honrada e decente,
Que possa orgulhar-se de seus filhos,
Como neste momento a família de Geísa,
Mesmo com toda a dor da sua falta,
Deverá estar a orgulhar-se dela.



Alvaro Oliveira
01/03/2012

* Tributo a Geísa Firmo Gonçalves, vítima do assalto ao ônibus da linha 174 Gavea-Centro, no Jardim Botânico - Rio de janeiro em 12/6/2000.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O DOM DA RECIPROCIDADE

Mensagem de Sua Santidade Bento XVI
para a Quaresma de 2012

“Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras” (Heb 10, 24)
Irmãos e irmãs! A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor.
Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.
«Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e, todavia, são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o fato de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego (outro eu), infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão.
O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66). A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.
O fato de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje se é muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem.
Entretanto a advertência cristã nunca há de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais retamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.
«Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O fato de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.
Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e onipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a ação do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).
«Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.
Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre atual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap.Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).
Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Novembro de 2011
[Benedictus PP. XVI]

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CATEQUESE DE BENTO XVI


Catequese de Bento XVI - 15/02/2012
Boletim de Sala de Imprensa da Santa Sé
(Tradução: Mirticeli Medeiros - equipe do CN notícias)





CATEQUESE
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
  
Queridos irmãos e irmãs,
 Na nossa escola de oração, quarta-feira passada, falei sobre a oração de Jesus na cruz que foi extraída do Salmo 22: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes? Agora gostaria de continuar a meditar sobre a oração de Jesus na cruz, na iminência da morte, gostaria de deter-me hoje sobre a narração que encontramos no Evangelho de São Lucas. O Evangelista nos transmitiu três palavras de Jesus sobre a cruz, duas das quais – a primeira e a terceira – são orações voltadas explicitamente ao Pai. A segunda, ao contrário, é constituída da promessa feita ao chamado bom ladrão, crucificado com Ele; respondendo, de fato, à oração do ladrão, Jesus o assegura: “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Luc 23,43). Na narração de Lucas se entrelaçam  sugestivamente as duas orações que Jesus morrendo endereça ao Pai e a acolhida da suplica que a Ele é dirigida pelo pecador arrependido. Jesus invoca o pai e também escuta a oração daquele homem que é geralmente chamado latro poenitens, o ladrão arrependido.

Detenhamos-nos sobre estas três orações de Jesus. A primeira ele a pronuncia depois de ter sido pregado na cruz, enquanto os soldados dividem as suas vestes como triste recompensa pelo serviço deles. Num certo sentido é com este gesto que se conclui o processo da crucificação. Escreve São Lucas: “Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, crucificaram-no e os malfeitores, um à direita e o outro à esquerda. Jesus Dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Depois, dividindo suas vestes, tiraram a sorte sobre elas” (23,33-34). A primeira oração que Jesus voltada ao Pai é de intercessão: pede o perdão pelo próprios algozes. Com isto, Jesus cumpre pessoalmente aquilo que havia ensinado no discurso da montanha quando disse: “A vós que escutais, eu digo: amais os vossos inimigos, façais o bem àqueles que vos odeiam” (Luc 6,27) e tinha também prometido àqueles que sabiam perdoar: “a vossa recompensa será grande e sareis filhos do Altíssimo” (v.35). Agora, da cruz, Ele não somente perdoa os seus algozes, mas se dirige diretamente ao Pai intercedendo em favor deles.

Essa atitude de Jesus encontra uma imitação comovente na narração do apedrejamento de São Estevão, primeiro mártir. Estevão, de fato, próximo do fim, “ajoelhou-se  e gritou em alta voz: “Senhor, não os condenes por estes pecados”. Dito isto, morreu” (At 7, 60) esta foi a sua ultima palavra. O confronto entre a oração de perdão de Jesus e aquela do primeiro mártir é significativo. São Estevão se volta ao Senhor Ressuscitado e pede que o seu assassinato – um gesto definido claramente com “este pecado” - não seja imposto sobre seus assassinos. Jesus sobre a cruz se volta ao Pai e não somente pede perdão para aqueles que o crucificaram, mas oferece também uma leitura daquilo que está acontecendo. Segundo as suas palavras, de fato, os homens que o crucificaram “não sabem aquilo que fazem” (Lc 23,34). Ele coloca, por assim dizer, a ignorância, o não saber, como motivo do pedido de perdão ao Pai, porque esta ignorância deixa aberta a via em direção à conversão, como acontece nas palavras que o centurião pronunciará diante da morte de Jesus: “Verdadeiramente, este homem era justo” (v. 47), era o filho de Deus. “Permanece uma consolação para todos os tempos e por todos os homens o fato que o Senhor esteja ao lado daqueles que verdadeiramente não sabiam -  os algozes – seja daqueles que sabiam e o haviam condenado, coloca a ignorância como motivo do pedido de perdão -  a vê como a porta que pode abrir-nos à conversão” (Jesus de Nazaré, II, 233).

A segunda palavra de Jesus sobre a cruz trazida por São Lucas é uma palavra de esperança, é a resposta à oração de um dos dois homens crucificados com Ele. O bom ladrão diante de Jesus entra em si mesmo e se arrepende, chega à conclusão de encontrar-se diante do Filho de Deus, que torna visível o rosto de Deus, e o pede: “Jesus, recorda-te de mim quanto entrares no teu reino” (V.42). A resposta do Senhor a esta oração vai bem além do pedido, de fato, diz: “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (v.43). Jesus é consciente de entrar diretamente na comunhão com o Pai e de reabrir ao homem a via para o paraíso de Deus. Assim através desta resposta dá a firme esperança que a bondade de Deus pode tocar-nos também no último instante da vida e a oração sincera, também depois de uma vida errada, encontra os braços abertos do Pai bom que espera o retorno do filho.

Mas nos voltemos para as ultimas palavras de Jesus que morre. O Evangelista narra: “ Era por volta de meio dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três da tarde, porque o sol parou de brilhar”. O véu do templo se rasgou no meio. Jesus, gritando em alta voz disse: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”. Dito isto, expirou. (vv 44-46). Alguns aspectos dessa narração são diferentes em relação ao quadro oferecido por Marcos e Mateus. As três horas de obscuridade em Marcos não são descritas, enquanto em Mateus são ligadas com uma série de diversos acontecimentos apocalípticos, como o terremoto, a abertura dos sepulcros, os mortos que ressuscitam (Mt 27,51-53). Em Lucas, às três horas de obscuridade tem no escurecimento do sol, mas naquele momento aconteceu a laceração do véu do templo. Deste modo, a narração de Lucas apresenta dois sinais, de qualquer modo, paralelos, no céu e no templo. O céu perde a sua luz, a terra se afunda, enquanto que no templo, local da presença de Deus, se parte o véu que protege o santuário. A morte de Jesus é caracterizada explicitamente como evento cósmico e litúrgico, em particular, marca o início de um novo culto, em um templo não construído por homem, porque é o próprio corpo de Jesus morto e ressuscitado, que reúne os povos e os une no Sacramento do Seu Corpo e do seu sangue.

A oração de Jesus naquele momento de sofrimento - “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” - é um forte grito de extremo e total confiança em Deus. Tal oração exprime a plena consciência de não estar abandonado. E quando os pais tempos atrás o haviam manifestado preocupação, Ele havia respondido: “Por que me procurais? Não sabeis que eu devo me preocupar com as coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Do início ao fim, aquilo que determina completamente o sentir de Jesus, a sua palavra, a sua ação, é uma relação única com o Pai. Sobre a cruz, Ele vive plenamente, no amor, esta sua relação filial com Deus, que anima sua oração.

As palavras pronunciadas por Jesus, depois da invocação “Pai”, retomam uma expressão do Salmo 31: “ Em tuas mãos confio meu espírito” (Sal 31,6). Estas palavras, portanto, não são uma simples citação, mas manifestam uma decisão firme: Jesus nos entrega ao Pai em um ato total de abandono. Estas palavras são uma oração de confiança, plena de confiança no amor de Deus. A oração de Jesus diante da morte é dramática como é para cada homem, mas, ao mesmo tempo, é invadida por uma calma profunda que nasce da confiança no Pai e pela vontade de entregar-se totalmente a ele. No Getsêmani, quando entrou na luta final e na oração mais intensa e estava para ser entregue nas mãos dos homens (Lc 9,44), a seu suor se tornou como gotas de sangue que caem por terra (Lc 22,44).
Mas o seu coração era plenamente obediente à vontade do pai, e por isto “um anjo céu” veio confortá-lo (Lc 22,42-43). Agora, nos últimos instantes, Jesus  se volta ao Pai dizendo quais são realmente as mãos as quais Ele entrega toda a sua existência. Antes da partida em direção a Jerusalém, Jesus havia insistido com seus discípulos: “Coloquei sem vossas mentes estas palavras: o Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens” (Lc 9,44). Agora, quem a vida está para deixá-lo, Ele sela na oração a sua ultima decisão: Jesus se deixou entregar nas mãos dos homens, mas é nas mãos do Pai que Ele coloca o seu espírito; assim – como afirma o Evangelista João – tudo é consumado, o supremo ato de amor é levado até o fim, ao limite e além do limite.

Queridos irmãos e irmãs, as palavras de Jesus sobre a cruz nos últimos instantes da sua vida terrena oferecem indicações precisas para a nossa oração, mas a abrem também para uma serena confiança e uma firme esperança. Jesus que pede ao Pai de perdoar aqueles que o estão crucificando , nos convida ao difícil gesto de rezar também por aqueles que nos prejudicaram, sabendo perdoar sempre, afim que a luz de Deus possa iluminar o coração deles, e nos convida a viver, na nossa oração, a mesma atitude de misericórdia e de amor que Deus tem em relação a nós: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”, dizemos todos os dias no “Pai Nosso”. Ao mesmo tempo, Jesus, que no momento extremo da morte se confia totalmente nas mãos de Deus Pai, nos comunica a certeza que, por mais que sejam duras as provas, difíceis os problemas, não cairemos mais fora das mãos de Deus, aqueles mãos que nos criaram, nos sustentam e nos acompanham no caminho da existência, guiados por um amor infinito e fiel. Obrigado!

Papa Bento XVI

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

QUER FAZER BEM TODAS AS COISAS?






Aprenda com Jesus a não deixar nada pela metade

"Ele tem feito bem todas as coisas" (Mc 7,37). Com essa frase do Evangelho de São Marcos, podemos ver um traço da personalidade de Jesus. Era um homem maduro em todos os sentidos. A maturidade é sinônimo de eficiência, eficácia e simplicidade. Em suma, maturidade é sinônimo de santidade!
Afetivamente: maduro! Psicologicamente: maduro! Politicamente: maduro! Espiritualmente: maduro! Jesus Cristo era tão maduro que, no derradeiro dia, prestes a entregar-se nas mãos do Pai Celeste, afirmou: “Tudo está consumado!” (Jo 19,30). Que êxito! Os seus 33 anos bem vividos. Não faltava nada! Tudo foi "bem" feito. Não deixou as coisas "pela metade". Não precisou de um dia a mais. Nem mesmo um minuto além do que Lhe foi dado. Tudo consumado! Bem diferente de algumas pessoas que chegam ao final da vida com “tudo consumido”. Que incrível diferença faz uma única letra: consumado, consumido. Que alegria seria se muitos dos nossos políticos pudessem ter um fim de mandato semelhante ao de Cristo. Que honra seria saber que muitos padres, pais, médicos, professores, profissionais das mais variadas áreas, encerraram a carreira com tudo “consumado” e não “consumido”!
A maturidade de Cristo se dá não apenas por talento pessoal ou predisposição genética. É verdade que Seus pais: Maria e José, eram justos; isto é, cumpriam fielmente o que lhes era recomendado pela lei religiosa. Mas acima de tudo, Jesus aprendeu isso de Seu Pai Celeste. No início da Bíblia, vemos que Deus criou o mundo e viu que tudo era bom (cf. Gn 1,10). Ou seja, a obra do Todo-poderoso é boa! É bem feita! É perfeita!

Que necessidade temos de aprender essa qualidade de Jesus! Quantas vezes deixamos as coisas por fazer, ou fazemos as coisas de qualquer jeito. Neste mundo escravo do tempo e intoxicado por múltiplas tarefas, descobrimos homens e mulheres apressados, estressados e doentes porque não conseguem cumprir uma agenda, atender todas as solicitações e corresponder a todas as expectativas.
Talvez o grande problema seja nossa extrema capacidade de complicar as coisas que são tão simples. Conseguimos tempo para tudo o que é secundário e deixamos de lado o que é essencial. A escala de valores foi perdendo sua textura natural e acabamos por colocar em primeiro lugar itens que não garantem um final feliz. A vida se torna pesada demais quando colocamos mais peso no telhado e nos esquecemos de fortalecer o alicerce da própria casa. Que o digam os engenheiros encarregados de justificar os desabamentos, causadores de muitas mortes, que vimos nos noticiários nacionais ultimamente.
A estrutura humana ideal é aquela que se assemelha à do Nazareno. Vivia com simplicidade. Valorizava os relacionamentos e dava chance até mesmo àqueles que potencialmente poderiam feri-Lo (Judas). Não se deixou prender pela mágoa, perdoava sempre (“Perdoai-os, eles não sabem o que fazem” – Lc 23,34). Não era preso à própria opinião, sabia submeter-se (“Que se faça a tua vontade, o Pai; e não a minha!” – Lc 22,41).
Era íntegro o bastante para não se afligir com a opinião alheia, acolhia pecadores e excluídos. A todos tinha uma palavra pacífica e orientadora (“Bem-aventurados os mansos!” – Mt 5,5 ). Amadureceu sem se desviar do motivo da própria existência. Aliás, tinha um sentido claro da própria vida (“Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância!” – Jo 10,10).
Quer fazer bem todas as suas coisas? Imite Jesus!
Padre Delton Filho

http://blog.cancaonova.com/padredelton/

domingo, 15 de janeiro de 2012

UMA LIÇÃO DE SOLIDARIEDADE

LUCAS 9
12.Ora, o dia começava a declinar e os Doze foram dizer-lhe: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e sítios da vizinhança e procurem alimento e hospedagem, porque aqui estamos num lugar deserto.13.Jesus replicou-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Retrucaram eles: Não temos mais do que cinco pães e dois peixes, a menos que nós mesmos vamos e compremos mantimentos para todo este povo.14.(Pois eram quase cinco mil homens.) Jesus disse aos discípulos: Mandai-os sentar, divididos em grupos de cinqüenta.15.Assim o fizeram e todos se assentaram.16.Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os servissem ao povo.17.E todos comeram e ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços.

MULTIPLICAÇÃO

A partilha do pão é algo que incomoda o mundo global. Incomoda aos que buscam este benefício bem como aos que dele tiram proveito. A incompetência de administrá-la é que transforma em corruptos uma massa de irresponsáveis. Para gerir o produto, resultado dessa onda que engole capitais e nada resolvem, as ONGs, governos, organizações religiosas e políticas, todos navegam num mar de turbulências, tiram proveitos pessoais e o mundo continua na miséria porque são poucos os que realmente trabalham com seriedade para sanar a fome. Usam-na constantemente para proveito próprio em nome de Jesus, mas na realidade estão defendendo o seu bolso.
Esta reflexão busca colocar no terreno fértil do marketing de valores uma pequena semente de mostarda, esperando poder um dia, com esta semente, contribuir para a redenção da fome no mundo.

Nossa reflexão se faz em cima do Milagre da Multiplicação, importantíssima para revermos conceitos, padrões e valores nas ações que permeiam o assunto e buscam soluções eficazes.

12.Ora, o dia começava a declinar...

        O entardecer é uma constante no Evangelho. E o que representa este “entardecer”? Podemos dizer que ele é tempo de mudança. Mas não é somente isso. Todos sabemos que ao ocaso procede a um novo amanhecer. E nesta mudança tudo pode acontecer. É tempo então de uma nova visão. Com o ocaso virá o anoitecer e a escuridão representando momentos difíceis e sombrios. É neste contexto e neste cenário que a sabedoria do Evangelho foca seus acontecimentos. É preciso coragem para reconhecer este tempo de mudança e acreditar que depois do ocaso brota um novo amanhecer cheio de esperanças. Sempre! Se focarmos nossas mudanças e administrarmos com competência não mais serão esperanças que teremos no novo dia, mas sim realizações que nos farão mais fortes.

Um case: O Plano Real.

... os Doze foram dizer-lhe...

        Os doze são os apóstolos mais próximos de Jesus que na realidade não eram 12 e sim 3 os mais próximos. Então, certamente, foram os três que comentaram. Mas os 12 ali estavam presentes e foram escolhidos por Jesus para dar continuidade ao seu projeto depois de sua morte. Eram os melhores daquele tempo? Não! Eram pessoas simples, sem instrução, com muitos defeitos, poucos valores éticos e morais e como diz no Evangelho, pecadores, que é a mesmíssima coisa. Hoje seriam representados pelo pior que existe na nossa força de trabalho. Mas Jesus queria exatamente aqueles que poderiam ser moldados e que tinham no seu caráter resiliencia e sensibilidade para descobrir os valores. Estes homens, resilientes, sensíveis foram bem treinados e ajudaram a eternizar a Igreja de Jesus. Sensibilidade e resiliencia são, pois, requisitos imprescindíveis quando se trata de treinamento.

Outro detalhe interessante. Eram doze! Então já podemos daí destacar a importância que este número tinha para o povo Judeu.
No Gênesis, até o sexto dia tudo foi criado (múltiplo de doze).
Doze eram as tribos patriarcais do antigo povo de Israel que se originaram dos doze filhos de Jacó, neto de Abraão.
Maria foi visitar sua prima Isabel no sexto mês de gravidez.
Este número quer dizer então o necessário e o suficiente para se organizar, os grupos e o tempo.
Importante que para Jesus em primeiro lugar estavam seus colaboradores e para os seus clientes sempre tinha que ser oferecido o melhor.

Um case para reflexão: número de Ministros que compõe o Governo Federal.


...os Doze foram dizer-lhe: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e sítios da vizinhança e procurem alimento e hospedagem, porque aqui estamos num lugar deserto.

        Existia uma multidão naquele sitio deserto esperando ouvir Jesus, esperando por mais um milagre. Certamente tinham cegos, aleijados, hansenianos, tuberculosos e muitos, esperando sua palavra. Os de mais posses tinham com certeza levado suas provisões de alimento. Os mais pobres esperavam pela caridade daqueles.
O dinheiro que o grupo de Jesus tinha era pouco para alimentar os necessitados; eles também era pobres. É bom lembrar que na Igreja original todos trabalhavam para se sustentar inclusive o grupo de Jesus, mas os cristãos eram miseravelmente pobres.

O lugar deserto tem a mesma conotação do ocaso apresentado no versículo 12. É um local de passagem nunca de repouso ou acolhida. E era uma realidade para aquele povo. Fazia parte do seu dia a dia.
A turba representa os clientes a quem Jesus oferece o melhor produto. Estes vinham de longe para ouvi-lo porque o conheciam ou, principalmente, tinha ouvido falar dele. Estes clientes estavam se servindo do seu fornecedor enquanto o produto lhes interessava, já que na hora da condenação de Jesus por Pilatos, nenhum deles estava presente para dar seu testemunho de fé. Neste momento só estavam os seguidores de Barrabas, condenado político que se opunha a opressão de Roma. O Reino de Deus era algo muito distante da compreensão daqueles.
Esta falta de fidelidade repete-se da mesma forma hoje e sempre.

Um case para reflexão: promoção no magazineluiza.

...Não temos mais do que cinco pães e dois peixes...

        Temos novamente os números guiando os valores da época. Cinco pães e dois peixes é simplesmente um valor simbólico. Principalmente porque naquela época costumava-se falar por metáfora, era uma forma de fugir à violência e Jesus e os seus eram muito bom nisso. Era uma forma a confundir os opressores. Os cristãos eram muito perseguidos, principalmente por Saulo, perseguidor feroz do cristianismo e que certamente estava presente. Os 12 precisavam comentar com Jesus que ali havia cristãos sim, mas em pequeno número em relação à multidão existente.

Mas o que nos interessa no momento é exatamente desvendar esta metáfora representada pelos números 5, 2 e 7 que é a soma.

No quinto dia Deus cria os peixes e as aves. Povoa a água e o céu e manda-os serem reprodutivos. O peixe era o símbolo dos cristãos e a ave o símbolo do Espírito Santo conforme aconteceu no batismo de Jesus. Daí pode-se deduzir que a frase que continha as palavras pão e peixe tinha a ver com a presença de cristãos batizados. E que pelo número apresentado eram poucos entre a turba ali existente. O cinco ligado ao pão, alimento imprescindível na mesa do judeu, representava a pequena quantidade dos crentes e um valor material, tangível.
O 5 somado ao 2 dá um resultado 7 que era o número de Igrejas cristãs na época e com isso os apóstolos queriam dizer que todas estavam representadas naquele momento. O 2 ligado ao peixe, símbolo da igreja original queria dizer que eles, da comunidade, acreditavam na presença de Deus Pai e Deus Espírito Santo que ali estava junto ao Deus Filho Jesus. Era um valor intangível. Crer era a coisa mais importante para os cristãos da época, pois esta era a vontade de Deus.

Um case para reflexão: simbologia e cabala judaica.

.14.(Pois eram quase cinco mil homens.) Jesus disse aos discípulos: Mandai-os sentar, divididos em grupos de cinqüenta.

        A multidão de 5.000 homens é exatamente esta turba representada pelo número cinco e o número 50, serve para informar que existiam vários outros grupos, além das 7 igrejas, dispostos a serem batizados, vindos de todas as partes. Jesus manda organizá-los por grupos de procedência. Assim ficaria mais fácil a identificação, o comando e os resultados de acordo com as necessidades de cada grupo.

Um case para reflexão: grandes multidões que se formam em comícios, eventos religiosos, etc.


16.Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os servissem ao povo.

Como disse a turba era composta de cristãos batizados e não batizados principalmente. Portanto nem todos ainda estavam preparados para participar do grande momento que haveria de acontecer.
Para prepará-los Jesus fez sua pregação e finalizou levantando os olhos ao céu, para em comunhão com o Pai e o Espírito Santo, através da Benção com imposição de mãos, batizá-los com o Espírito Santo é foi exatamente ai que o grande milagre aconteceu.
O milagre da CARIDADE através da SOLIDARIEDADE.
Foi com o batismo no Espírito Santo que toda aquela turba acendeu para a CARIDADE e solidarizando-se uns com os outros, trocaram seus alimentos e como diz finalmente o Evangelho:

17.E todos comeram e ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços.

Este ato final da multiplicação confere-nos dizer que Jesus nos mostra como organizar multidões e poder cuidar delas permitindo que todos possam se sentir saciados.

Um case: a fome no mundo.
Alvaro de Oliveira Neto


domingo, 8 de janeiro de 2012

NOS TAMBÉM PODEREMOS SER OS MAGOS DO ORIENTE



MATEUS 2, 1
1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.


Esta passagem no Evangelho de Mateus é repleta de simbolismo e marca o nascimento do Filho de Deus. Belém já simboliza a humildade que marcará toda a vida de Jesus. (6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. Mt 2, 6). Os magos supõe-se sacerdotes da religião zoroástrica, praticada na Pérsia. Eram sensitivos e como tal tinham o Dom da Profecia e Visualização. Este é o motivo pelo qual eles estavam presentes imediatamente após o nascimento de Jesus.
Mas, o mais importante é que eles vieram de muito longe. Isto quer dizer que eles caminharam muito e por longo tempo para conhecer o Messias.
O Evangelho não cita nem nomes nem quantidade, apenas que eles eram magos do Oriente. E estes magos, que não eram Judeus, portanto eram gentios, vieram em busca do Valor e da Verdade que Jesus representava.
Hoje podemos nos colocar no lugar destes magos, gentios, e até iniciarmos nossa longa caminhada para encontrarmos este Valor e conhecermos a Verdade que Ele representa como segunda pessoa da Trindade Santa e Divina.
Reconheçamos a Verdade e a Verdade nos salvara. Este caminho seguido pelos magos é o mesmo e único Caminho que Jesus diz ser.
Eu sou, o Caminho, a Verdade, e a Vida.
Reconhecendo que o ¨Eu sou” é o próprio nome de Deus que foi dado a Moisés. O caminho, a verdade e a vida são meios de chegarmos a Deus, como fizeram os magos do Oriente.
Caminhemos, pois, por esta senda de verdade e vida e poderemos então, também, encontrar Jesus pleno e Ressucitado.

Alvaro Oliveira