quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CATEQUESE DE BENTO XVI


Catequese de Bento XVI - 15/02/2012
Boletim de Sala de Imprensa da Santa Sé
(Tradução: Mirticeli Medeiros - equipe do CN notícias)





CATEQUESE
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
  
Queridos irmãos e irmãs,
 Na nossa escola de oração, quarta-feira passada, falei sobre a oração de Jesus na cruz que foi extraída do Salmo 22: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes? Agora gostaria de continuar a meditar sobre a oração de Jesus na cruz, na iminência da morte, gostaria de deter-me hoje sobre a narração que encontramos no Evangelho de São Lucas. O Evangelista nos transmitiu três palavras de Jesus sobre a cruz, duas das quais – a primeira e a terceira – são orações voltadas explicitamente ao Pai. A segunda, ao contrário, é constituída da promessa feita ao chamado bom ladrão, crucificado com Ele; respondendo, de fato, à oração do ladrão, Jesus o assegura: “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Luc 23,43). Na narração de Lucas se entrelaçam  sugestivamente as duas orações que Jesus morrendo endereça ao Pai e a acolhida da suplica que a Ele é dirigida pelo pecador arrependido. Jesus invoca o pai e também escuta a oração daquele homem que é geralmente chamado latro poenitens, o ladrão arrependido.

Detenhamos-nos sobre estas três orações de Jesus. A primeira ele a pronuncia depois de ter sido pregado na cruz, enquanto os soldados dividem as suas vestes como triste recompensa pelo serviço deles. Num certo sentido é com este gesto que se conclui o processo da crucificação. Escreve São Lucas: “Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, crucificaram-no e os malfeitores, um à direita e o outro à esquerda. Jesus Dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Depois, dividindo suas vestes, tiraram a sorte sobre elas” (23,33-34). A primeira oração que Jesus voltada ao Pai é de intercessão: pede o perdão pelo próprios algozes. Com isto, Jesus cumpre pessoalmente aquilo que havia ensinado no discurso da montanha quando disse: “A vós que escutais, eu digo: amais os vossos inimigos, façais o bem àqueles que vos odeiam” (Luc 6,27) e tinha também prometido àqueles que sabiam perdoar: “a vossa recompensa será grande e sareis filhos do Altíssimo” (v.35). Agora, da cruz, Ele não somente perdoa os seus algozes, mas se dirige diretamente ao Pai intercedendo em favor deles.

Essa atitude de Jesus encontra uma imitação comovente na narração do apedrejamento de São Estevão, primeiro mártir. Estevão, de fato, próximo do fim, “ajoelhou-se  e gritou em alta voz: “Senhor, não os condenes por estes pecados”. Dito isto, morreu” (At 7, 60) esta foi a sua ultima palavra. O confronto entre a oração de perdão de Jesus e aquela do primeiro mártir é significativo. São Estevão se volta ao Senhor Ressuscitado e pede que o seu assassinato – um gesto definido claramente com “este pecado” - não seja imposto sobre seus assassinos. Jesus sobre a cruz se volta ao Pai e não somente pede perdão para aqueles que o crucificaram, mas oferece também uma leitura daquilo que está acontecendo. Segundo as suas palavras, de fato, os homens que o crucificaram “não sabem aquilo que fazem” (Lc 23,34). Ele coloca, por assim dizer, a ignorância, o não saber, como motivo do pedido de perdão ao Pai, porque esta ignorância deixa aberta a via em direção à conversão, como acontece nas palavras que o centurião pronunciará diante da morte de Jesus: “Verdadeiramente, este homem era justo” (v. 47), era o filho de Deus. “Permanece uma consolação para todos os tempos e por todos os homens o fato que o Senhor esteja ao lado daqueles que verdadeiramente não sabiam -  os algozes – seja daqueles que sabiam e o haviam condenado, coloca a ignorância como motivo do pedido de perdão -  a vê como a porta que pode abrir-nos à conversão” (Jesus de Nazaré, II, 233).

A segunda palavra de Jesus sobre a cruz trazida por São Lucas é uma palavra de esperança, é a resposta à oração de um dos dois homens crucificados com Ele. O bom ladrão diante de Jesus entra em si mesmo e se arrepende, chega à conclusão de encontrar-se diante do Filho de Deus, que torna visível o rosto de Deus, e o pede: “Jesus, recorda-te de mim quanto entrares no teu reino” (V.42). A resposta do Senhor a esta oração vai bem além do pedido, de fato, diz: “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (v.43). Jesus é consciente de entrar diretamente na comunhão com o Pai e de reabrir ao homem a via para o paraíso de Deus. Assim através desta resposta dá a firme esperança que a bondade de Deus pode tocar-nos também no último instante da vida e a oração sincera, também depois de uma vida errada, encontra os braços abertos do Pai bom que espera o retorno do filho.

Mas nos voltemos para as ultimas palavras de Jesus que morre. O Evangelista narra: “ Era por volta de meio dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três da tarde, porque o sol parou de brilhar”. O véu do templo se rasgou no meio. Jesus, gritando em alta voz disse: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”. Dito isto, expirou. (vv 44-46). Alguns aspectos dessa narração são diferentes em relação ao quadro oferecido por Marcos e Mateus. As três horas de obscuridade em Marcos não são descritas, enquanto em Mateus são ligadas com uma série de diversos acontecimentos apocalípticos, como o terremoto, a abertura dos sepulcros, os mortos que ressuscitam (Mt 27,51-53). Em Lucas, às três horas de obscuridade tem no escurecimento do sol, mas naquele momento aconteceu a laceração do véu do templo. Deste modo, a narração de Lucas apresenta dois sinais, de qualquer modo, paralelos, no céu e no templo. O céu perde a sua luz, a terra se afunda, enquanto que no templo, local da presença de Deus, se parte o véu que protege o santuário. A morte de Jesus é caracterizada explicitamente como evento cósmico e litúrgico, em particular, marca o início de um novo culto, em um templo não construído por homem, porque é o próprio corpo de Jesus morto e ressuscitado, que reúne os povos e os une no Sacramento do Seu Corpo e do seu sangue.

A oração de Jesus naquele momento de sofrimento - “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” - é um forte grito de extremo e total confiança em Deus. Tal oração exprime a plena consciência de não estar abandonado. E quando os pais tempos atrás o haviam manifestado preocupação, Ele havia respondido: “Por que me procurais? Não sabeis que eu devo me preocupar com as coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Do início ao fim, aquilo que determina completamente o sentir de Jesus, a sua palavra, a sua ação, é uma relação única com o Pai. Sobre a cruz, Ele vive plenamente, no amor, esta sua relação filial com Deus, que anima sua oração.

As palavras pronunciadas por Jesus, depois da invocação “Pai”, retomam uma expressão do Salmo 31: “ Em tuas mãos confio meu espírito” (Sal 31,6). Estas palavras, portanto, não são uma simples citação, mas manifestam uma decisão firme: Jesus nos entrega ao Pai em um ato total de abandono. Estas palavras são uma oração de confiança, plena de confiança no amor de Deus. A oração de Jesus diante da morte é dramática como é para cada homem, mas, ao mesmo tempo, é invadida por uma calma profunda que nasce da confiança no Pai e pela vontade de entregar-se totalmente a ele. No Getsêmani, quando entrou na luta final e na oração mais intensa e estava para ser entregue nas mãos dos homens (Lc 9,44), a seu suor se tornou como gotas de sangue que caem por terra (Lc 22,44).
Mas o seu coração era plenamente obediente à vontade do pai, e por isto “um anjo céu” veio confortá-lo (Lc 22,42-43). Agora, nos últimos instantes, Jesus  se volta ao Pai dizendo quais são realmente as mãos as quais Ele entrega toda a sua existência. Antes da partida em direção a Jerusalém, Jesus havia insistido com seus discípulos: “Coloquei sem vossas mentes estas palavras: o Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens” (Lc 9,44). Agora, quem a vida está para deixá-lo, Ele sela na oração a sua ultima decisão: Jesus se deixou entregar nas mãos dos homens, mas é nas mãos do Pai que Ele coloca o seu espírito; assim – como afirma o Evangelista João – tudo é consumado, o supremo ato de amor é levado até o fim, ao limite e além do limite.

Queridos irmãos e irmãs, as palavras de Jesus sobre a cruz nos últimos instantes da sua vida terrena oferecem indicações precisas para a nossa oração, mas a abrem também para uma serena confiança e uma firme esperança. Jesus que pede ao Pai de perdoar aqueles que o estão crucificando , nos convida ao difícil gesto de rezar também por aqueles que nos prejudicaram, sabendo perdoar sempre, afim que a luz de Deus possa iluminar o coração deles, e nos convida a viver, na nossa oração, a mesma atitude de misericórdia e de amor que Deus tem em relação a nós: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”, dizemos todos os dias no “Pai Nosso”. Ao mesmo tempo, Jesus, que no momento extremo da morte se confia totalmente nas mãos de Deus Pai, nos comunica a certeza que, por mais que sejam duras as provas, difíceis os problemas, não cairemos mais fora das mãos de Deus, aqueles mãos que nos criaram, nos sustentam e nos acompanham no caminho da existência, guiados por um amor infinito e fiel. Obrigado!

Papa Bento XVI

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

QUER FAZER BEM TODAS AS COISAS?






Aprenda com Jesus a não deixar nada pela metade

"Ele tem feito bem todas as coisas" (Mc 7,37). Com essa frase do Evangelho de São Marcos, podemos ver um traço da personalidade de Jesus. Era um homem maduro em todos os sentidos. A maturidade é sinônimo de eficiência, eficácia e simplicidade. Em suma, maturidade é sinônimo de santidade!
Afetivamente: maduro! Psicologicamente: maduro! Politicamente: maduro! Espiritualmente: maduro! Jesus Cristo era tão maduro que, no derradeiro dia, prestes a entregar-se nas mãos do Pai Celeste, afirmou: “Tudo está consumado!” (Jo 19,30). Que êxito! Os seus 33 anos bem vividos. Não faltava nada! Tudo foi "bem" feito. Não deixou as coisas "pela metade". Não precisou de um dia a mais. Nem mesmo um minuto além do que Lhe foi dado. Tudo consumado! Bem diferente de algumas pessoas que chegam ao final da vida com “tudo consumido”. Que incrível diferença faz uma única letra: consumado, consumido. Que alegria seria se muitos dos nossos políticos pudessem ter um fim de mandato semelhante ao de Cristo. Que honra seria saber que muitos padres, pais, médicos, professores, profissionais das mais variadas áreas, encerraram a carreira com tudo “consumado” e não “consumido”!
A maturidade de Cristo se dá não apenas por talento pessoal ou predisposição genética. É verdade que Seus pais: Maria e José, eram justos; isto é, cumpriam fielmente o que lhes era recomendado pela lei religiosa. Mas acima de tudo, Jesus aprendeu isso de Seu Pai Celeste. No início da Bíblia, vemos que Deus criou o mundo e viu que tudo era bom (cf. Gn 1,10). Ou seja, a obra do Todo-poderoso é boa! É bem feita! É perfeita!

Que necessidade temos de aprender essa qualidade de Jesus! Quantas vezes deixamos as coisas por fazer, ou fazemos as coisas de qualquer jeito. Neste mundo escravo do tempo e intoxicado por múltiplas tarefas, descobrimos homens e mulheres apressados, estressados e doentes porque não conseguem cumprir uma agenda, atender todas as solicitações e corresponder a todas as expectativas.
Talvez o grande problema seja nossa extrema capacidade de complicar as coisas que são tão simples. Conseguimos tempo para tudo o que é secundário e deixamos de lado o que é essencial. A escala de valores foi perdendo sua textura natural e acabamos por colocar em primeiro lugar itens que não garantem um final feliz. A vida se torna pesada demais quando colocamos mais peso no telhado e nos esquecemos de fortalecer o alicerce da própria casa. Que o digam os engenheiros encarregados de justificar os desabamentos, causadores de muitas mortes, que vimos nos noticiários nacionais ultimamente.
A estrutura humana ideal é aquela que se assemelha à do Nazareno. Vivia com simplicidade. Valorizava os relacionamentos e dava chance até mesmo àqueles que potencialmente poderiam feri-Lo (Judas). Não se deixou prender pela mágoa, perdoava sempre (“Perdoai-os, eles não sabem o que fazem” – Lc 23,34). Não era preso à própria opinião, sabia submeter-se (“Que se faça a tua vontade, o Pai; e não a minha!” – Lc 22,41).
Era íntegro o bastante para não se afligir com a opinião alheia, acolhia pecadores e excluídos. A todos tinha uma palavra pacífica e orientadora (“Bem-aventurados os mansos!” – Mt 5,5 ). Amadureceu sem se desviar do motivo da própria existência. Aliás, tinha um sentido claro da própria vida (“Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância!” – Jo 10,10).
Quer fazer bem todas as suas coisas? Imite Jesus!
Padre Delton Filho

http://blog.cancaonova.com/padredelton/

domingo, 15 de janeiro de 2012

UMA LIÇÃO DE SOLIDARIEDADE

LUCAS 9
12.Ora, o dia começava a declinar e os Doze foram dizer-lhe: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e sítios da vizinhança e procurem alimento e hospedagem, porque aqui estamos num lugar deserto.13.Jesus replicou-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer. Retrucaram eles: Não temos mais do que cinco pães e dois peixes, a menos que nós mesmos vamos e compremos mantimentos para todo este povo.14.(Pois eram quase cinco mil homens.) Jesus disse aos discípulos: Mandai-os sentar, divididos em grupos de cinqüenta.15.Assim o fizeram e todos se assentaram.16.Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os servissem ao povo.17.E todos comeram e ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços.

MULTIPLICAÇÃO

A partilha do pão é algo que incomoda o mundo global. Incomoda aos que buscam este benefício bem como aos que dele tiram proveito. A incompetência de administrá-la é que transforma em corruptos uma massa de irresponsáveis. Para gerir o produto, resultado dessa onda que engole capitais e nada resolvem, as ONGs, governos, organizações religiosas e políticas, todos navegam num mar de turbulências, tiram proveitos pessoais e o mundo continua na miséria porque são poucos os que realmente trabalham com seriedade para sanar a fome. Usam-na constantemente para proveito próprio em nome de Jesus, mas na realidade estão defendendo o seu bolso.
Esta reflexão busca colocar no terreno fértil do marketing de valores uma pequena semente de mostarda, esperando poder um dia, com esta semente, contribuir para a redenção da fome no mundo.

Nossa reflexão se faz em cima do Milagre da Multiplicação, importantíssima para revermos conceitos, padrões e valores nas ações que permeiam o assunto e buscam soluções eficazes.

12.Ora, o dia começava a declinar...

        O entardecer é uma constante no Evangelho. E o que representa este “entardecer”? Podemos dizer que ele é tempo de mudança. Mas não é somente isso. Todos sabemos que ao ocaso procede a um novo amanhecer. E nesta mudança tudo pode acontecer. É tempo então de uma nova visão. Com o ocaso virá o anoitecer e a escuridão representando momentos difíceis e sombrios. É neste contexto e neste cenário que a sabedoria do Evangelho foca seus acontecimentos. É preciso coragem para reconhecer este tempo de mudança e acreditar que depois do ocaso brota um novo amanhecer cheio de esperanças. Sempre! Se focarmos nossas mudanças e administrarmos com competência não mais serão esperanças que teremos no novo dia, mas sim realizações que nos farão mais fortes.

Um case: O Plano Real.

... os Doze foram dizer-lhe...

        Os doze são os apóstolos mais próximos de Jesus que na realidade não eram 12 e sim 3 os mais próximos. Então, certamente, foram os três que comentaram. Mas os 12 ali estavam presentes e foram escolhidos por Jesus para dar continuidade ao seu projeto depois de sua morte. Eram os melhores daquele tempo? Não! Eram pessoas simples, sem instrução, com muitos defeitos, poucos valores éticos e morais e como diz no Evangelho, pecadores, que é a mesmíssima coisa. Hoje seriam representados pelo pior que existe na nossa força de trabalho. Mas Jesus queria exatamente aqueles que poderiam ser moldados e que tinham no seu caráter resiliencia e sensibilidade para descobrir os valores. Estes homens, resilientes, sensíveis foram bem treinados e ajudaram a eternizar a Igreja de Jesus. Sensibilidade e resiliencia são, pois, requisitos imprescindíveis quando se trata de treinamento.

Outro detalhe interessante. Eram doze! Então já podemos daí destacar a importância que este número tinha para o povo Judeu.
No Gênesis, até o sexto dia tudo foi criado (múltiplo de doze).
Doze eram as tribos patriarcais do antigo povo de Israel que se originaram dos doze filhos de Jacó, neto de Abraão.
Maria foi visitar sua prima Isabel no sexto mês de gravidez.
Este número quer dizer então o necessário e o suficiente para se organizar, os grupos e o tempo.
Importante que para Jesus em primeiro lugar estavam seus colaboradores e para os seus clientes sempre tinha que ser oferecido o melhor.

Um case para reflexão: número de Ministros que compõe o Governo Federal.


...os Doze foram dizer-lhe: Despede as turbas, para que vão pelas aldeias e sítios da vizinhança e procurem alimento e hospedagem, porque aqui estamos num lugar deserto.

        Existia uma multidão naquele sitio deserto esperando ouvir Jesus, esperando por mais um milagre. Certamente tinham cegos, aleijados, hansenianos, tuberculosos e muitos, esperando sua palavra. Os de mais posses tinham com certeza levado suas provisões de alimento. Os mais pobres esperavam pela caridade daqueles.
O dinheiro que o grupo de Jesus tinha era pouco para alimentar os necessitados; eles também era pobres. É bom lembrar que na Igreja original todos trabalhavam para se sustentar inclusive o grupo de Jesus, mas os cristãos eram miseravelmente pobres.

O lugar deserto tem a mesma conotação do ocaso apresentado no versículo 12. É um local de passagem nunca de repouso ou acolhida. E era uma realidade para aquele povo. Fazia parte do seu dia a dia.
A turba representa os clientes a quem Jesus oferece o melhor produto. Estes vinham de longe para ouvi-lo porque o conheciam ou, principalmente, tinha ouvido falar dele. Estes clientes estavam se servindo do seu fornecedor enquanto o produto lhes interessava, já que na hora da condenação de Jesus por Pilatos, nenhum deles estava presente para dar seu testemunho de fé. Neste momento só estavam os seguidores de Barrabas, condenado político que se opunha a opressão de Roma. O Reino de Deus era algo muito distante da compreensão daqueles.
Esta falta de fidelidade repete-se da mesma forma hoje e sempre.

Um case para reflexão: promoção no magazineluiza.

...Não temos mais do que cinco pães e dois peixes...

        Temos novamente os números guiando os valores da época. Cinco pães e dois peixes é simplesmente um valor simbólico. Principalmente porque naquela época costumava-se falar por metáfora, era uma forma de fugir à violência e Jesus e os seus eram muito bom nisso. Era uma forma a confundir os opressores. Os cristãos eram muito perseguidos, principalmente por Saulo, perseguidor feroz do cristianismo e que certamente estava presente. Os 12 precisavam comentar com Jesus que ali havia cristãos sim, mas em pequeno número em relação à multidão existente.

Mas o que nos interessa no momento é exatamente desvendar esta metáfora representada pelos números 5, 2 e 7 que é a soma.

No quinto dia Deus cria os peixes e as aves. Povoa a água e o céu e manda-os serem reprodutivos. O peixe era o símbolo dos cristãos e a ave o símbolo do Espírito Santo conforme aconteceu no batismo de Jesus. Daí pode-se deduzir que a frase que continha as palavras pão e peixe tinha a ver com a presença de cristãos batizados. E que pelo número apresentado eram poucos entre a turba ali existente. O cinco ligado ao pão, alimento imprescindível na mesa do judeu, representava a pequena quantidade dos crentes e um valor material, tangível.
O 5 somado ao 2 dá um resultado 7 que era o número de Igrejas cristãs na época e com isso os apóstolos queriam dizer que todas estavam representadas naquele momento. O 2 ligado ao peixe, símbolo da igreja original queria dizer que eles, da comunidade, acreditavam na presença de Deus Pai e Deus Espírito Santo que ali estava junto ao Deus Filho Jesus. Era um valor intangível. Crer era a coisa mais importante para os cristãos da época, pois esta era a vontade de Deus.

Um case para reflexão: simbologia e cabala judaica.

.14.(Pois eram quase cinco mil homens.) Jesus disse aos discípulos: Mandai-os sentar, divididos em grupos de cinqüenta.

        A multidão de 5.000 homens é exatamente esta turba representada pelo número cinco e o número 50, serve para informar que existiam vários outros grupos, além das 7 igrejas, dispostos a serem batizados, vindos de todas as partes. Jesus manda organizá-los por grupos de procedência. Assim ficaria mais fácil a identificação, o comando e os resultados de acordo com as necessidades de cada grupo.

Um case para reflexão: grandes multidões que se formam em comícios, eventos religiosos, etc.


16.Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os a seus discípulos, para que os servissem ao povo.

Como disse a turba era composta de cristãos batizados e não batizados principalmente. Portanto nem todos ainda estavam preparados para participar do grande momento que haveria de acontecer.
Para prepará-los Jesus fez sua pregação e finalizou levantando os olhos ao céu, para em comunhão com o Pai e o Espírito Santo, através da Benção com imposição de mãos, batizá-los com o Espírito Santo é foi exatamente ai que o grande milagre aconteceu.
O milagre da CARIDADE através da SOLIDARIEDADE.
Foi com o batismo no Espírito Santo que toda aquela turba acendeu para a CARIDADE e solidarizando-se uns com os outros, trocaram seus alimentos e como diz finalmente o Evangelho:

17.E todos comeram e ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços.

Este ato final da multiplicação confere-nos dizer que Jesus nos mostra como organizar multidões e poder cuidar delas permitindo que todos possam se sentir saciados.

Um case: a fome no mundo.
Alvaro de Oliveira Neto


domingo, 8 de janeiro de 2012

NOS TAMBÉM PODEREMOS SER OS MAGOS DO ORIENTE



MATEUS 2, 1
1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.


Esta passagem no Evangelho de Mateus é repleta de simbolismo e marca o nascimento do Filho de Deus. Belém já simboliza a humildade que marcará toda a vida de Jesus. (6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. Mt 2, 6). Os magos supõe-se sacerdotes da religião zoroástrica, praticada na Pérsia. Eram sensitivos e como tal tinham o Dom da Profecia e Visualização. Este é o motivo pelo qual eles estavam presentes imediatamente após o nascimento de Jesus.
Mas, o mais importante é que eles vieram de muito longe. Isto quer dizer que eles caminharam muito e por longo tempo para conhecer o Messias.
O Evangelho não cita nem nomes nem quantidade, apenas que eles eram magos do Oriente. E estes magos, que não eram Judeus, portanto eram gentios, vieram em busca do Valor e da Verdade que Jesus representava.
Hoje podemos nos colocar no lugar destes magos, gentios, e até iniciarmos nossa longa caminhada para encontrarmos este Valor e conhecermos a Verdade que Ele representa como segunda pessoa da Trindade Santa e Divina.
Reconheçamos a Verdade e a Verdade nos salvara. Este caminho seguido pelos magos é o mesmo e único Caminho que Jesus diz ser.
Eu sou, o Caminho, a Verdade, e a Vida.
Reconhecendo que o ¨Eu sou” é o próprio nome de Deus que foi dado a Moisés. O caminho, a verdade e a vida são meios de chegarmos a Deus, como fizeram os magos do Oriente.
Caminhemos, pois, por esta senda de verdade e vida e poderemos então, também, encontrar Jesus pleno e Ressucitado.

Alvaro Oliveira

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

NÃO EXISTE A LEI DA DUALIDADE NO CÉU


LUCAS 18
22. A estas palavras, Jesus lhe falou: Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.

VENDE TUDO O QUE TENS.
Tudo é tudo mesmo! Jesus não disse somente o que te sobra. Ele quer de ti o despojamento total de todos os Tesouros que ajuntas na Terra. (Mt 6, 19)
E quais são estes tesouros? São aqueles que te aprisionam. Aqueles os quais tu devotas tua vida, teu coação. Não adianta dizer: “Mas é só isso. Eu faço somente algumas coisas diferentes porque eu acho certo, mas eu acredito piamente em Deus”.
Não adianta. Você tem que se despojar de TUDO.

DÁ-O AOS POBRES.
Quem são os pobres? Ai é onde está a parte mais difícil. Muitos pensam logo: vou dar para os meus filhos, para os meus familiares. Negativo! Não faça isso! Não dê aos seus o que não é bom. Antes reflita quem na realidade são os pobres, pois estes na verdade são aqueles que tem um tesouro na Terra. Perfeito? "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus" (Mateus 5:3). Estes são os verdadeiros pobres. Os pobres que Jesus fala neste versículo 22, são os orgulhosos, os invejosos, os egoístas, os maus, os que vivem nas trevas. Não são os pecadores, porque estes ele acolheu quando aqui veio e salvou na cruz. Todos somos e sempre seremos pecadores. Os apóstolos eram pecadores, Dimas, o bom ladrão, crucificado com Jesus, era pecador. Mas Jesus os acolheu. Quando Ele diz “dá-o aos pobres” Ele quer dizer o mesmo que aqueles que ajuntam tesouros na Terra (Mateus 6, 19-20). Quando Ele diz: dá tudo, Ele quer dizer o mesmo que acumular Tesouros no Céu pois onde está o teu Tesouro ai está o teu Coração.

DEPOIS, VEM E SEGUE-ME

Segue-me. Seguir Jesus é fazer a Vontade de Deus. Acreditar! Segue-me é entregar-se a Jesus. Ele não o convida para segui-lo de longe, com bens materiais, com Tesouros na Terra. Ele quer que você o siga, juntinho dele, como amigo, como aquele que ele chama pelo nome e você lhe responde com a vida porque Ele também te respondeu com a Vida. Como aquele que ajunta Tesouros no Céu, porque Ele te deu a Paz (Jô 14, 23), o Amor. E que tesouros são estes. São valores que plantamos e que dão frutos cem por um (Mt 13,8). Jesus não está interessado no seu dinheiro, no seu carro, na sua casa, no seu relógio, em nada de material, nenhum bem que você possua na Terra e nunca esteve. Os discípulos tinham que trabalhar para sobreviver. Em Atos 18, 1- 4, Paulo diz que quem não trabalha não deve comer. Os apóstolos trabalhavam para se manter. O bem que lhes interessava buscar nos outros era a Fé. Por isso é muito importante sabermos a quem estamos fazendo uma doação. Muitos dizem: eu faço a minha parte. Não é assim. Isso é o mesmo que comprar uma propriedade sem escritura. São justificativas de quem não acredita na salvação, mas sim têm medo de não se salvar. É preciso ver onde está indo sua doação, como está sendo empregada. Se bem empregada aparecem os frutos, os Tesouros no céu. Se mal empregada aparecem os Tesouros na Terra. E você, como doador fará parte de um ou de outro porque você foi a origem. Faça-se em mim segundo a tua palavra. (Lc 1, 38). Maria quando pronunciou este voto de fé sabia qual era a origem e Deus, quando lhe deu a graça de conceber seu filho, sabia quem era o destino.
Seguir a Jesus, Caminho, verdade e Vida (Jô 14, 6), não faz parte da Lei da Física de ação e reação. Seguir Jesus é uma opção de Fé.


A reflexão continua aberta.

Alvaro Oliveira

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SEGUE-ME!


LUCAS 18

18.Um homem de posição perguntou então a Jesus: Bom Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?

Esta é a preocupação de todos. Este homem, sem nome, somos nós. O pior é que a maioria quer eternizá-la aqui na Terra. Não percebem que a eternidade é algo inerente a todas as criaturas. Nós somos eternos. Emanamos do Criador e a Ele voltaremos no dia da Ressurreição. Queiramos ou não. Esta vida eterna tão desejada por este homem, no entanto, era mais. O que ele queria era a Vida Eterna através da Salvação.

19.Jesus respondeu-lhe: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.

Jesus, imediatamente o coloca a prova, porque aquele homem usava de artimanhas para conquistar sua graça. É assim, muitas pessoas usam de artimanhas para conquistar a graça dos outros. E vão se chegando, como quem nada quisesse, como se fossem do bem. Mas no fundo estão blefando para usurpar ou enganar.
Jesus sabia disso.

20.Conheces os mandamentos: não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honrarás pai e mãe.

21.Disse ele: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade.

O homem mentiu e Jesus sabia que ele mentia. Por este motivo colocou-lhe a prova definitiva. A condição única para a Salvação.

22.A estas palavras, Jesus lhe falou: Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.

Jesus propõe o despojamento total dos valores materiais. E como isto é difícil. Inclusive para muitas pessoas que se dizem falar em nome de Jesus. Falam como se conhecessem o Amor e a Paz intimamente. Apropriam-se das palavras de Jesus para enganar os incautos. Ai Jesus propõe-lhe a parte mais difícil para os apegados aos bens materiais. Para os aproveitadores, os falsos.

Segue-me!

E para segui-lo é preciso fazer a Vontade de Deus e amar ao próximo como Ele nos amou.

23.Ouvindo isto, ele se entristeceu, pois era muito rico.

Leia mais em: http://www.bibliacatolica.com.br/01/49/18.php#ixzz1hlLbvLn9