terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Evangelho do dia 09/12/2015 - 2ª Semana do Advento - Ano C - Roxa

Vinde a mim todos vós que estais cansados - Mt 11,28-30

Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002


COMENTÁRIO
Jesus é não somente o sábio, mas a sabedoria de Deus que atrai todos a si para instruí-los na Lei de Deus. O “jugo” (ou fardo) é uma peça de madeira posta sobre o pescoço dos animais para equilibrar o peso que se impunha sobre eles. Entre outros significados, na Sagrada Escritura, o jugo se refere à Lei (Jr 2,20; 5,5). Jesus critica os escribas e fariseus porque eles amarram pesados fardos nos ombros dos homens (Mt 23,4). Com isso, Jesus os critica pelo modo como interpretam e impõem aos outros praticarem a Lei.
Na consideração de Jesus essa abordagem da Lei abate e oprime, pois tira a alegria de viver. Ora, a Lei de Deus é dom para preservar o dom da vida e o dom da liberdade. Daí que ela mesma não pode se tornar uma escravidão que submete as pessoas ao rigorismo estéril, incapaz de gerar vida. A Lei de Deus é um caminho para a vida e a liberdade (cf. Dt 30,16). A lei de Deus é a Lei do amor (cf. Jo 15,12). O amor faz viver, enche de alegria. Pelo amor tudo tem sentido e adquire o seu devido valor. O amor é a expressão máxima da vida cristã. O que alivia o peso do fardo que cansa e abate é o amor de Deus que, na plenitude dos tempos, se manifestou e se fez sentir na pessoa de Jesus Cristo.

Pe. Carlos Contieri, sj, em ‘A Bíblia dia a dia 2015’, Paulinas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Evangelho do dia 08/12/2015 - Imaculada Conceição de Nossa Senhora, solenidade - Ano C - Branca

Eis aqui a serva do Senhor! - Lc 1,26-38

Quando Isabel estava no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem de nome José, da casa de Davi. A virgem se chamava Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo! Ela perturbou-se com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.
O anjo, então, disse: "Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande; será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim. Maria, então, perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?" O anjo respondeu: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus”. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice. Este já é o sexto mês daquela que era chamada estéril, pois para Deus nada é impossível". Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo retirou-se.

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002.


COMENTÁRIO
O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo Papa Pio IX, em 1854, na bula Ineffabilis Deus, em que ele afirma que “A Virgem Maria (...) foi preservada imune de toda a mancha do pecado original”. No texto do anúncio do nascimento de Jesus a Maria, pelo anjo Gabriel, a jovem de Nazaré é apresentada como aquela que recebeu o favor de Deus. O favor de Deus a Maria é a sua eleição para ser, segundo a carne, mãe do Filho único de Deus.
A iniciativa da encarnação do Verbo é de Deus, mas, para ser plenamente humano, Deus conta com o consentimento livre de Maria; e com José, seu esposo, darão existência histórica e humana à Palavra eterna do Pai. Assim como a idade avançada de Zacarias e Isabel e a esterilidade desta não foram impedimento para a concepção de João Batista, do mesmo modo a dificuldade humana da virgindade de Maria será superada pelo poder divino na concepção de Jesus. Na resposta a Deus, Maria se confia plenamente ao Senhor. Nisso ela é modelo do discípulo: mulher que escuta a palavra e a põe em prática. Maria é a mulher totalmente entregue e disponível a Deus.

Pe. Carlos Contieri, sj, em ‘A Bíblia dia a dia 2015’, Paulinas.
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Evangelho do dia 07/12/2015 - Sto. Ambrósio, memória - Ano C - Branca

Teus pecados estão perdoados - Lc 5,17-26

Num desses dias, ele estava ensinando na presença de fariseus e mestres da Lei, que tinham vindo de todos os povoados da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. O poder do Senhor estava nele para fazer curas. Vieram alguns homens carregando um paralítico sobre uma maca. Eles tentavam introduzi-lo e colocá-lo diante dele. Como não encontrassem um modo de introduzi-lo , por causa da multidão, subiram ao telhado e, pelas telhas, desceram o paralítico, com a maca, no meio, diante de Jesus. Vendo a fé que tinham, ele disse: “Homem, teus pecados são perdoados”.
Os escribas e os fariseus começaram a pensar: "Quem é este que fala blasfêmia? Quem pode perdoar pecados, a não ser Deus?" Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou: "Que estais pensando no vosso íntimo? Que é mais fácil, dizer: 'Teus pecados são perdoados', ou: 'Levanta-te e anda?' Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem poder de perdoar pecados na terra, - e dirigiu-se ao paralítico - eu te digo: levanta-te, pega tua maca e vai para casa". No mesmo instante, levantando-se diante de todos, pegou a maca e foi para casa, glorificando a Deus. Todos ficaram admirados e glorificavam Deus, cheios de temor, dizendo: “Vimos hoje coisas maravilhosas”.

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002.


COMENTÁRIO
O tema central do evangelho de hoje é a fé. A fé dos que carregavam o paralítico impressiona Jesus. “Quem pode perdoar os pecados a não ser Deus?”, pensavam os escribas e os fariseus. Mais tarde, em razão disso e de outras afirmações de Jesus, os escribas e fariseus presentes vão acusá-lo de blasfemo. Jesus penetra os pensamentos dos escribas e dos fariseus, assim como Deus no Sl 139 conhece o mais profundo do coração do ser humano. No entanto, o passivo divino empregado – “teus pecados estão perdoados” – revela que o sujeito da ação de perdoar é Deus. É Deus quem perdoa e o mediador do perdão de Deus é Jesus. O perdão efetivo pode ser verificado pela cura: “levantando-se diante de todos, pegou a maca e foi para casa, glorificando a Deus”. O perdão, do qual Cristo é o mediador, liberta da enfermidade e solta a língua: no início do relato, nem uma palavra foi atribuída ao paralítico; no término do relato, no entanto, ele sai “glorificando a Deus”, pois reconhece na palavra de Jesus a ação de Deus.

Pe. Carlos Contieri, sj, em ‘A Bíblia dia a dia 2015’, Paulinas.
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Evangelho do dia 06/12/2015 - 2º Domingo do Advento - Ano C - Roxa

Preparai o caminho do Senhor - Lc 3,1-6

No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias, tetraraca de Abilene, enquanto Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, a Palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: “Voz de quem clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele. Todo vale será aterrado; toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas serão endireitadas, e os caminhos esburacados, aplanados. E todos verão a salvação que vem de Deus”.

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002.



COMENTÁRIO
O trecho do evangelho que lemos neste segundo domingo do advento, tempo de graça que nos prepara para celebrar o Natal do Senhor, é, no evangelho segundo Lucas, o prelúdio do ministério público de Jesus. Nosso texto apresenta a missão de João Batista, precursor do Messias. Uma das características do evangelho segundo Lucas é o sincronismo histórico, isto é, ele visa situar os acontecimentos da história da salvação na história da humanidade.
Com isso o autor do terceiro evangelho insiste na dimensão histórica desses acontecimentos. O evangelista nos dá uma indicação temporal: décimo quinto ano do império de Tibério César, ou seja, por volta do ano 28 d.C. Em seguida, traz uma visão panorâmica da situação política do momento: Pôncio Pilatos, governador da Judeia; Herodes, tetrarca da Galileia; Filipe, seu irmão, da Itureia e da Traconítide; Lisânias, de Abilene. Ele nos diz também que Anás e Caifás eram os sumos sacerdotes em Jerusalém. João, filho de Zacarias, é um profeta da transição entre o Antigo e o Novo Testamento. Por isso, de modo solene, como para os profetas antigos (cf. Jr 1,4), se diz que a Palavra de Deus foi dirigida a ele, impelindo-o a pregar um batismo de conversão para a remissão dos pecados. O batismo de João prepara um evento muito mais importante: a vinda do Senhor.
Somente removendo todo obstáculo é que a salvação de Deus se tornará acessível a todas as pessoas. A voz de João Batista convida a nos prepararmos para receber o Senhor. O que significa endireitar as veredas? Significa fazer com que nossa conduta seja conforme a vontade de Deus. Quando perdemos a confiança em Deus e a esperança, nos tornamos como um vale que precisa ser aterrado. Como? Pela confiança em Deus. Para receber o Senhor é preciso humildade; é isso que significa que toda montanha e colina serão rebaixadas. Todos dependemos da bondade do Senhor; sem ela não somos nada; por isso, devemos renunciar e lutar contra o orgulho e a soberba. A voz de João no deserto nos convida neste tempo do advento a examinar nossa consciência para ver em que precisamos ser purificados e transformados para reconhecer e acolher o Senhor que vem ao nosso encontro.

Pe. Carlos Contieri, sj, em ‘A Bíblia dia a dia 2015’, Paulinas.
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Evangelho do dia 05/12/2015 - 1ª Semana do Advento - Ano C - Roxa

O Reino dos Céus está próximo! - Mt 9,35–10,1.6-8

Jesus começou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa-Nova do Reino e curando todo tipo de doença e de enfermidade. Chamando os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder para expulsar os espíritos impuros e curar todo tipo de doença e de enfermidade. Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: “O Reino dos Céus está próximo”. Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002.


COMENTÁRIO
A missão dos Doze, como de toda a Igreja, é participação na missão de Jesus Cristo. Assim como no Antigo Testamento, em que a misericórdia está na origem da decisão de Deus de libertar o seu povo da casa da servidão (Ex 3,7ss), no evangelho a compaixão é que leva Jesus agir e viver para os outros e buscar colaboradores para que todas as pessoas sejam assistidas em suas necessidades. É com e por esse sentimento divino que os Doze são enviados em missão e devem realizá-la.
A compaixão deve mover o seu coração, pois o discípulo deve ser como o Mestre. A missão era e sempre será muito maior do que o número dos que são enviados. Por isso será preciso suplicar Àquele que tudo conhece e de quem todo verdadeiro bem procede que envie sempre mais operários para o trabalho de colheita na sua vinha. O poder dado aos Doze para missão é o Espírito Santo, força do alto para o testemunho (cf. At 1,8). O anúncio da proximidade do Reino de Deus deve ser acompanhado de gestos que libertem as pessoas do mal. O mal desfigura o ser humano, o desumaniza e o impede de ceder à atração de Deus. O que eles receberam sem mérito, eles devem comunicar: o Espírito Santo.

Pe. Carlos Contieri, sj, em ‘A Bíblia dia a dia 2015’, Paulinas.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Evangelho do dia 04/12/2015 - 1º Semana do Advento - Ano C - Roxa

Tem compaixão de nós, filho de Davi! - Mt 9,27-31

Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: “Tem compaixão de nós, filho de Davi!” Quando entrou em casa, os cegos se aproximaram dele, e Jesus lhes perguntou: “Acreditais que eu posso fazer isso?” Eles responderam: “Sim, Senhor”. Então tocou nos olhos deles, dizendo: “Faça-se conforme a vossa fé”. E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu: “Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo”. Mas eles saíram e espalharam sua fama por toda aquela região.

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002.


COMENTÁRIO
Jesus é um Messias itinerante, passa de aldeia em aldeia, de um lugar a outro, visita essa e aquela pessoa. Por onde passa, Jesus reaviva a esperança e desperta a fé na vida. Esse seu contínuo deslocamento é a imagem de Deus que vai ao encontro do ser humano onde ele está; é imagem do Deus que acompanhou o seu povo ao longo de toda a travessia do deserto. Os dois cegos do nosso episódio acompanham Jesus com uma súplica persistente: “Tem compaixão de nós”. Já em casa, o diálogo de Jesus com eles suscita-lhes a fé. A cegueira é um modo de falar da falta de fé. A cura é feita pelo toque de Jesus nos olhos deles, gesto acompanhado da palavra que esclarece o gesto. É a fé que faz ver, pois ela é iluminação. A fé dos dois cegos não é a causa da cura, mas a fé é necessária para receber a visão como dom de Deus. A fé, podemos dizer, é a cura de tantos males do coração do ser humano.

Pe. Carlos Contieri, sj, em ‘A Bíblia dia a dia 2015’, Paulinas.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Evangelho do dia 03/12/2015 - S. Francisco Xavier, memória - Ano C - Branca

A casa construída sobre a rocha - Mt 7,21.24-27

Nem todo aquele que me diz: “Senhor! Senhor!”, entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem sensato, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não desabou, porque estava construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e ela desabou, e grande foi a sua ruína!

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002.


COMENTÁRIO
A comunidade cristã é caracterizada, fundamentalmente, por sua união com Deus, pela escuta da palavra de Jesus Cristo e por viver essa palavra. Nosso texto é o trecho conclusivo do sermão da montanha (Mt 5–7). Não são as muitas palavras ou o louvor estéril que caracterizam a vida do discípulo, mas o seu engajamento afetivo e efetivo em realizar a vontade de Deus. A vida cristã é um modo de viver a existência humana sob o dinamismo da palavra e dos ensinamentos de Jesus.
O que ameaça a credibilidade da vida cristã é a distância entre a palavra e a vida cotidiana, a cisão entre a fé professada e o empenho tênue ou inexistente de se deixar iluminar pela fé em Deus. “Ouvir” é reconhecer que a palavra de Jesus faz sentido e dá sentido a todas as coisas. Para o fiel cristão, a palavra de Jesus contém o mistério do Reino dos Céus que requer, para ser aceito livremente, a pessoa integralmente. É o dinamismo da escuta e prática da Palavra do Senhor que dá solidez à vida de toda a comunidade eclesial. Ouvir somente não basta, é preciso que a palavra se torne carne, isto é, que seja visível e testemunhada na vida de cada membro da comunidade dos discípulos.

Pe. Carlos Contieri, sj, em ‘A Bíblia dia a dia 2015’, Paulinas.
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